Cheguei em casa ávido por um banho. Me deparo com o Kiko na porta com cara de velório. Achei que ia me zoar pelas besteiras da festa e por eu ter apostado que a “quebra-barraco” seria uma boa flatmate. Mas quando eu chego na porta o Kiko me lança um sonoro “Fudeu!”.
A fisionomia dele era estranha, o corredor de entrada estava cheio de sacolas e coisas empilhadas. Enquanto eu entrava, ele me disse que a dona da casa apareceu no meio da tarde para faze uma “inspeção surpresa”. Claro que ela não gostou do que viu e nos colocou pra fora.
Por alguns instantes eu pensei ser uma piada, claro. Até que um dos nossos amigos chega pra mim e fala: “Diego, eu peguei a sua mala e coloquei tudo que estava na sua parte do armário da melhor forma possível”.
Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Precisei sentar, respirar e tentar conter a crise de riso que estava prestes a começar. Não teve jeito. Comecei a rir e a olhar para aquele cenário.
Além dos moradores, vários amigos tinham ido para a nossa casa nos ajudar com a mudança. Estava tudo fora dos armários, algumas coisas em sacos de lixo. Uma cena muito maluca. O jeito era parar de rir e checar se todas as minhas coisas estavam na mala. Tudo arrumado, quer dizer, colocado dentro dos limites do zíper da mala.
Descobri que iríamos nos alojar na casa de uns amigos. Tudo dentro do Táxi Van e lá íamos nós, ainda sem acreditar no que estava acontecendo, rumo a Smithfield. Não tem nem como agradecer os meninos que nos deram abrigo. Em um apartamento bem pequeno alojaram quatro pessoas na sala.
Viemos só em três para a casa dos nossos amigos pois o Kiko, que iria embora na terça-feira, preferiu ficar na casa de um amigo do trabalho. Mas não estava certo, ele deveria ficar conosco. Desalojados, masi ainda unidos. Depois de alguns telefonemas o convencemos a vir se juntar aos sem-teto.
Apesar de tudo isso, não conseguíamos dormir e passamos a madrugada dando risada do Kiko imitando a dona da casa ao ver o apartamento. Segundo ele, ela tinha o cabelo e a voz rouca da Nair Belo e a filha ficava rodopiando com um vestido a la Noviça Rebelde. Não tem como descrever.
Mas no meio dessa conversa toda, lembramos que os nossos amigos estavam deixando esse apartamento para morar em um bem legal que, por ter vista para o mar, foi apelidado de Copacabana.
Em uma rápida reunião, decidimos que no dia seguinte falaríamos com a corretora para ficarmos ali mesmo. Além de termos gostados do apartamento, que apesar de pequeno tem seu charme (mesmo que ainda nao tenhamos descoberto qual), só de pensar em procurar apartamento e fazer uma mudança de novo, já dava preguiça.
Até que o saldo não havia sido tão negativo. Tínhamos sido despejados, é verdade, mas já achamos um novo apartamento. Sim, podem contar. Em menos de tres meses era a minha quarta mudança.